Desde pequena ela adorava sentir o vento no rosto. Qualquer brisinha ou mesmo um vento mais forte, ela corria para o lado de fora, abria os braços e enchia o peito para sentir o ar tocando sua pele, dançando com seus cabelos, purificando sua alma.

No entanto, um dia percebeu que de uma hora para outra não conseguia mais sentir. Como isso podia estar acontecendo?

Decidiu instalar cataventos, birutas e sinos de vento. Estava desesperada, e com isso adicionava mais e mais aparatos no quintal, na esperaça de que eles a ajudariam a sentir o vento novamente.

Ela agora conseguir ver o vento. E ouvi-lo também. Mas ainda não o sentia no rosto.

Uma dia chegou um furacão. Ela não pensou duas vezes. Assim que a ventania devastadora atingiu sua casa, ela foi para fora  e abriu os braços para recebê-la. Foi levada pelo vento, voando livre e feliz por finalmente ser capaz de o sentir mais uma vez.

Nunca mais ninguém a viu, mas agora sempre que o vento fica mais forte ela é lembrada como a menina do vento, e sua história é contada por pessoas abrigadas seguramente no conforto de suas casas.